31 de ago. de 2013

PT 3º - Então, desliguei...

Eu tentei discernir ...
Se ela iria chorar...
Sorri ao vê-la sorrir,
Não pude ignorar:

Que podia ter fim a dor
Desta realidade metafísica!
E tudo ganhou mais cor;
Os ventos ganharam mais música.

E, antes que fosse falar de amor...
Decidi que devia desligar...
Porque era cedo. Precipitado.

Porque era... De fato, amor.
Mas não era hora. Esperar.
Que o poema fique guardado...

20 de ago. de 2013

O nosso maestro

As coisas perderam a graça
As cores perderam a cor
Da carne, resta o osso
Do coração, meio amor

Das cores que antes via;
Restou-lhe o preto e branco.
Da vida que antes vivia;
Restou-lhe um livro e um banco;

Vivendo-se sem viver,
Morre-se pouco a pouco.
Neste agitado mar de emoção
Onde não há nada a se ver;
Afora esse maestro louco
Que se chama coração.

15 de ago. de 2013

Estudo Para Piano, Op 10 Nº3, Fredérik Chopin


         "[..]Ele estava estupefato, tanto com sua beleza quanto pelo fato de terem abandonado totalmente a rota. Aquilo era suficiente para lhe demitirem por justa causa. O que aquela mulher poderia pedir?!
                -M-Mas... Isso é errado... Estamos fora da rota, o Coordenador vai ligar e... E... –Ela estava com o dedo indicador sobre os lábios, sibilando baixinho.
                -Você se importa com isso tudo? Com seu emprego? Com o velho porco que lhe mandou e desmandou por anos da sua vida infeliz? Não somos escravos de ninguém. Vem, Marcos. –Ele levantou do banco, e Natália o puxou pela mão. Ela o conduziu gentilmente até o parapeito do mirante, e lá ficaram por alguns instantes, fitando as luzes da cidade e o céu estrelado.
                -Você devia ter trazido seu piano, Marcos. Queria ouvir Chopin à luz dessas estrelas. Era um dos meus sonhos, para ser sincera. Alguém tocasse para mim.-Ela apertou a mão dele, se aproximando. –Alguém que me mostrasse o significado de viver.
                A confusão que tomara os pensamentos do pobre homem se tornou indescritível, mas, ao toque das mãos, tudo passou, e agora sentia como se uma velha amante lhe dirigisse os mais belos versos.
                -Queria poder tê-lo aqui, Natália. Você poderia, então, ouvir minha Tristeza. –Disse, referindo-se ao 10º estudo para piano de Chopin.
                -Seria um sonho. Você não sente nada? Aqui, nessa situação.
                -Eu... Não sei. Não sei. –Repetiu, envergonhando-se por suas dificuldades de dicção.
                Ela virou o rosto de maneira a olha-lo nos olhos. Ele sentiu, então, algo novo. Uma velha barreira, que sempre permeou seu viver, acabara de cair: podia se expressar livremente, aquém das experiências traumáticas de outrora. Podia ser ele mesmo, podia lhe falar abertamente.
                -Tu estas comigo, Marcos. Estou aqui para te fazer vivo outra vez. Para te fazer sorrir nesse mar de águas turvas que é o viver. –Ela desviou os olhos, passando a observar os arranha-céus a quilômetros de distância. –Sei que você sempre sentiu falta de algo.[...]"

(caso alguém queria ler o conto completo, contate-me)

27 de jul. de 2013

Tomando café numa tarde de quinta

Ontem eu vivi um dos sonhos
Onde não haviam avarias...
Apenas tenros rostos risonhos
E o doce toque das mãos frias...

Agora como pão com presunto
E saboreio o café que minha mãe fez
E, entre suspiros, me pergunto
Se jogaremos truco outra vez...

13 de jul. de 2013

Never trust a yellow bird

He never thought birds could send messages.

After some advices from a friend who used to take care of specially trained birds, he started to train his own bird. He went to the local park and started to throw some popcorns on the ground near the place he was planning to sit on. After two hours of endless waiting, he finally caught a bird the was about to fly with a little piece of popcorn.

He didn't knew what was the bird's genre, he only knew it was yellow. He went home visibly satisfied.

In the next day, he started trainning the bird. He tried to teach him to go from one place to another. It would be pretty easy, according to his bird-specialist friend. The only thing he would have to teach to the bird would be how to know where his wings are going to. He started with a simple route from the bedroom to the kitchen, using some popcorn as bait. At first it didn't went well, mostly because the bird wasn't wanting to fly. He tried  using every kind of food as bait: rice, beans, bananas, french fries, Coke, and even a McBurger. The fucking bird didn't moved his wings a single inch. He decided to talk to the bird. He explained to the bird why did he choose him as a messenger. The bird seemed touched, and decided to colaborate.

The bird flew perfectly, from the bedroom to the kitchen.

After some weeks, the bird was finally able to fly from one house to another two blocks away. The guy decided that it was time. The bird was ready to follow his contend.

He wrote a letter with twenty and two lines. He had put all his feelings in the letter. It was meant to be read by his beloved girl. He doubled it as a tube, and attached it to the bird's right leg. Then, he told to the bird where he would have to go. The bird agreed, and made de promisse  that would do the path exactly as described.

Some minutes after, the bird went out of the house and flew to his freedom.

The yellow bird didn't gave a fuck to the Guy's feels, all he wanted was to be free.

Thats how ended up the story: A free bird free-flying around again, a guy that never told his beloved girl how much he loved her, and a girl that would never knew how much someone has loved her.

12 de jul. de 2013

PT 2º-hope

I've done my best
I've tied them all with a rope
till then I'll just rest
hoping you give me hope

1 de jul. de 2013

Cartas tristes

        Ela morava em algum prédio do centro histórico de Porto Alegre. O dia havia sido exaustivo, e imagens de um sofá confortável e alguns bons filmes idealizavam a definição perfeita de paraíso. Ela optou por não tomar banho, e sentou-se ao sofá, deixando que as tensões e estresses do cotidiano pudessem evaporar, deixando apenas a boa carcaça cansada estirada embaixo de grossos edredons. Mas algo chamou sua atenção: havia uma carta embaixo da porta, que ela provavelmente pisara ao entrar, sem ao menos notar. Ela estranhou, mas a abriu e, como o texto parecia longo, sentou-se para lê-lo.

A caligrafia, embora legível, era sensivelmente afetada por algum tipo de tremedeira; e, aparentemente, o texto devia ter sido escrito com esmero calculado. Acompanhavam os dizeres:

“Boa noite, moça. Ou bom dia, depende, nunca se sabe quando hão de lhe entregar esse papel ou quando você há de lê-lo. De qualquer maneira, venho me despedir.

Desde que a vi pela primeira vez - naquele ônibus, naqueles dias infernais de aulas inúteis, em meio àquele rebanho de rostos estranhos – que seu rosto diferia dos demais. Por meses a idealizei, até que finalmente pude lhe dirigir a palavra. Pode ter sido um erro; mas não me arrependo. Tive a oportunidade de conhecer uma das pessoas mais encantadoras desde que minhas lembranças se avivam.

Eu poderia te fazer a pessoa mais feliz do mundo, se você quisesse. Poderia lhe proporcionar as alegrias que você sempre sonhou; e iria além, até o limite indefinido das contendas que lhe fariam jus. Lhe escreveria poemas, lhe comporia sinfonias, criaria desde a semente as rosas que um dia pertencer-te-iam.  Daria meu suor para te ver feliz, sorrindo e radiante. Nada menos do que aquilo que você merece.

No inicio falei sobre despedida, e, na verdade, é sobre isso que se trata essa dissertação. Não hei de criar ilusões, paradigmas ou me ater a contendas incertas. Seguirei meu caminho, apenas.

Em algum lugar, eu estarei divagando por entre ruelas de velhas cidades históricas, brincando de escrever sobre aquilo que vejo e sinto, sobre como os ventos ditam os rumos de nossas vidas e sobre como o sol se põe mais cedo para alguns. Coisas da vida, apenas.


Até.”

30 de jun. de 2013

Aquilo que nos faz escrever pior ainda

Sentir brotar novamente a paixão é algo muito hard, em diversos aspectos. Talvez a influência mais notável desta situação irracional - a que nos submetemos procrastinadamente de tempos em tempos - seja na escrita (partindo do pressuposto de que o indivíduo escreva por hobbie, o que limita a abrangência dessa pseudo-crônica a 1/20 da população mundial, senão menos).

Admiro os grandes poetas que, defronte à paixão, terminam por produzir suas obras-primas. É para poucos a capacidade de canalizar um sentimento de tal magnitude e o converter em arte magna. Então, aqui me refiro aos escritores mundanos, que não verdadeiramente escrevem, mas sim mancham folhas de celulose com suas palavras insípidas e monótonas.

De qualquer maneira, a paixão destrói nossa parca capacidade literária. É fato. Sempre que nos apaixonamos, perdemos o senso do ridículo, nos atemos a dissertar sobre o sentir, sem siso algum. Não nos preocupamos com a empatia da obra, pois, na verdade, não nos preocupamos com merda nenhuma. Deixamos que as palavras desandem em meio a folhas e folhas de riminhas rasas e fofas. Não estamos concentrados na arte da literatura, estamos concentrados no rosto de alguém. Não estamos preocupados com a musicalidade das estrofes, com a métrica dos versos ou com a qualidade das rimas; pois nossa mente divaga a relembrar - segundo após segundo - os trejeitos da Pessoa. Escrevemos a esmo, como se fosse a cura do buraco que fica no nosso peito quando nos afastamos fisicamente da Pessoa. Em contrapartida, quando estamos juntos d’ela, esquecemos que um dia aprendemos a escrever. A paixão faz dessas coisas. E, ao fim de tudo, quem sofre são as próprias palavras.

Antes elas do que nós. Que sejamos felizes, enquanto elas definham como algum verso bonachão de música sertaneja.

E que elas definhem, pois isso é muito bom (Se apaixonar, no caso. Meus pêsames às palavras versadas). Como diria algum provérbio mundano dessa internet profana: “Viver sem frio na barriga não é viver”.

28 de jun. de 2013

PT 1º- O poema de uma dessas tardes

ele queria poder abraçá-la,
recolher todo seu pranto
botar tudo numa caixinha
e atirar do barranco

para nunca mais voltar
esta angústia, este desprazer
de viver a desandar
sem a alegria do viver.

ele queria poder tentar
ser o fim de seus problemas
agora, só lhe resta esperar
tecendo mais alguns poemas...

(PT-Série de poemas sem edição, nem tempo produção: são fruto de emoções do próprio autor que, afetado por elas, termina por dissertar sobre seu sentir de maneira ortograficamente/semanticamente/morfologicamente duvidosa, embora sincera.)

23 de jun. de 2013

O mais velho dos poemas

Vim sendo tristeza,
Vim sendo uma mentirinha.
Vim sendo incerteza,
Que ao fim de tudo definha.

Até que a morte nos separe.
Até que as cores percam a cor.
Até que o tempo nos ampare...
Nestas dancinhas de horror.

Divaga entre as corjas de sãos.
Sem eixo, gira, a entreter a razão.
Arrancaram-lhe ambas as mãos
Partiram em dois seu coração.