31 de mar. de 2013

Usei-a bem, até agora.


                Sempre prezei pela subjetividade. Sempre considerei-a minha guia espiritual na arte de embaralhar o explícito e torná-lo enigmático, misterioso, apetitoso. Agora não ela não me é mais tão venerada. Ó subjetividade, meu talismã dourado, revogo tua presteza, pois não mais anseio por embaralhar cubos mágicos de palavras e sentimentos; e sim explicitá-los em abraços e carinhos.

30 de mar. de 2013

Quase-declaração



Felizes sao aqueles
que ouzaram proferir
três palavras simples
capazes de inferir...

Tudo aquilo que se tranca,
tudo aquilo que se guarda.
Tudo aquilo que nos afaga
esta tristeza tao amarga.

Se feliz é aquele que o disse,
feliz hei de dançar
Pois o coraçao agora se abriga
em terno novo lar.

Pois o teu lado me aconchego,
ao teu lado tenho paz...
Sou tão feliz e pleno
como nunca seria capaz.

23 de nov. de 2012

Quase sem querer


“Boa noite, querida”
Queria ele bradar...
Má noite, deprimida,
Me falta teu olhar.

Neste jogo de viver
Vivemos este romance.
Quase sem querer...
Um escorregão, de relance...

Parem os segundos!
Pare o ponteiro!
Pois sonho para nós
Apenas um dia inteiro.

Para realizar esta leitura
Juntos, abraçadinhos...
E viver esta aventura
Só para baixinhos.

30 de out. de 2012

Risadas

Rir do teu riso, confesso,
É a melhor das risadas.
Rir a esmo, sem nexo,
Das mais frígidas piadas.

Querida chapeleira,
Porque fazes assim?
Sufocas-me abraçadeira...
Com sorrisos sem fim.

Mata-me de alegria,
Afasta-me do pranto.
Anjinha desta poesia;
Das palavras, teu encanto.

19 de out. de 2012

Essa chama..


Algumas coisas são inesperadas, inusitadas, simplesmente acontecem como se irremediavelmente estivessem predestinadas a acontecer. Agora nos resta se sentar e observar o fogo do sentimento que, posto que é chama, seja eterno enquanto dure.

5 de out. de 2012

Criptógama


Minha má métrica mui malquerida
Há de criptografar e bem-camuflar
Toda tenra tediosa tendenciosa lida.
Então hei de subitamente declarar: 
Chega! Que seja sem sentir tal vida!
Que possamos permear o ar e cantar
Entreolhar-nos e rir deste mal pesar
Com murmúrios de mímica inexata
Poder-lhe, sem som algum ecoar,
Descriptografar esse mau-poema
Que lábios não hão de expressar.

4 de out. de 2012

A todos


É muita gente
Pra pouca opinião.
É muito poema
Pra pouco leitão.

30 de set. de 2012

O Grande Garfo


És tão belo, ó grande garfo majestoso!
Criado do belo e trabalhado metal.
Tão reluzente, iluminado e formoso
Quanto o mais puro ser angelical!

És tão grandioso, ó belo instrumento...
Que tua afiada extremidade aguda,
Perfuraria o mais duro alimento
Da mais forte superfície carnuda.

Remonta vossa origem tão gloriosa
A Netuno, cujo Tridente originou
Esta peça quadrifurcada tão preciosa.

Regozijai-vos, ó grande rei Netuno!
Pois a mais bela peça de tua criação,
Equiparar-se-á à beleza de Juno!

24 de set. de 2012

Pequena Alice.


Que bom vômito o vômito das tuas palavras
Sinceras e irredutíveis, belas explosões...
Oriundas de tempestuosos contos de fadas,
Fadadas a retumbar em nossos corações.

Pois a emoção do teu escrever
Transcende o limiar do sentir.
Acredite no que lhe digo!
Porque iria mentir?

Essa mente, esse turbilhão de ideias é
Represa prestes a desabar!
Então encarecido lhe peço:
Liberte-a! Deixe-a voar!

Acredites nas palavras
Daqueles que sabem sentir
O poder de tuas pinceladas,
O paradigma do teu existir.

Entendo... São muitas em uma só
Muitas flores em uma mesma planta
Entremeando e apertando o nó
Sufocante em tua garganta.

Entendo... Tua aversão
A toda essa bonacheirice
Basta fechar teus olhos, -
E sorrir, pequena Alice.

23 de set. de 2012

Meu lencinho!


Pena do bobinho abobado a amar
Recolhendo pedacinhos
De seu mundinho a desabar.

Juntando seus lencinhos
À arte de errar, erra os caminhos
E termina por amar.