ele queria poder abraçá-la,
recolher todo seu pranto
botar tudo numa caixinha
e atirar do barranco
para nunca mais voltar
esta angústia, este desprazer
de viver a desandar
sem a alegria do viver.
ele queria poder tentar
ser o fim de seus problemas
agora, só lhe resta esperar
tecendo mais alguns poemas...
(PT-Série de poemas sem edição, nem tempo produção: são fruto de emoções do próprio autor que, afetado por elas, termina por dissertar sobre seu sentir de maneira ortograficamente/semanticamente/morfologicamente duvidosa, embora sincera.)
28 de jun. de 2013
23 de jun. de 2013
O mais velho dos poemas
Vim sendo tristeza,
Vim sendo uma mentirinha.
Vim sendo incerteza,
Que ao fim de tudo definha.
Até que a morte nos separe.
Até que as cores percam a cor.
Até que o tempo nos ampare...
Nestas dancinhas de horror.
Divaga entre as corjas de sãos.
Sem eixo, gira, a entreter a razão.
Arrancaram-lhe ambas as mãos
Partiram em dois seu coração.
22 de jun. de 2013
Os ônibus e as probabilidades
Seu primeiro sentimento da semana
não poderia ter sido mais enérgico: Sentiu um ódio repentino pelo som do
despertador, que emulava a sirene de um complexo nuclear. O despertador era um
aplicativo do seu dispendioso tablet – único fator que o impedia de, de fato,
parti-lo ao meio. Era seu segundo dia na universidade, e ele já criara um ódio
profundo em acordar junto ao sol.
Ao pôr
os pés no chão, em questão de minutos já caminhava com seu velho par de All
Stars, rumo à parada de ônibus. Pouco mais de uma hora, subia escadarias que o
levariam à sua sala de aula. Ele ainda não era um universitário, pois tomara
parte em uma espécie de curso preparatório para estudantes “menos aptos”. Não que de fato o fosse, mas sentia que necessitava
de conhecer essa tão falada vida de estudante – até agora decepcionante. Ao
subir as escadas, já admirava a bela combinação do campus: prédios sólidos; fauna
variada, sicômoros e figueiras entrelaçadas por líquenes e trepadeiras; e, como
toque final, uma casta inteira de jovens de subgêneros variados: do punk
extremo ao hippie duvidoso.
Ele se sentia
bem em meio a essa corja pouco convencional, e, como sempre fora relativamente
atípico, se sentia relativamente em casa. Afora a matemática excessiva que
passara a presenciar e idolatrar, tudo lhe agradava muito.
Ao
término da segunda aula, estava esgotado. Seu professor demonstrava sinais sensíveis
de Asperger, marcados pelo grande intelecto e pela pouca capacidade de interagir
psicoativamente. Era um poço fechado de conhecimento. Seus colegas compartilhavam
essa sensação, o que refletia na velocidade com que a sala da aula
esvaziara-se.
Agora
figurava na parada, esperando pela locomoção ao som de Bethoven. A décima quarta Sonata
para piano estava no meio do segundo movimento quando notou que seu ônibus já
estava disponível, e correu para garantir seu assento. Existe um momento de
limbo entre pagar a passagem e atravessar a roleta, um momento de êxtase
estático onde é difícil se dar por conta do que acontece na transição de pedestre
para passageiro. Tudo o que ele sabe é que, ao se recuperar, teve seus olhos
desviados para alguma entidade de óculos, ao fundo ônibus.
Era uma
garota aparentemente comum, pele clara e cabelo longo. Devia estar no mesmo estado
de pseudo-estudante que ele. Ele tentou desviar o olhar, mas sentia como se
algum tipo de magnetosfera agisse naquele momento. Acabou se aproximando dela,
e, quando se deu por conta, estava a ponto de sentar ao seu lado. Ele até o
teria feito, se ela não tivesse optado por acomodar-se no banco do corredor.
Ele não conseguiria dirigir-lhe a palavra para pedir passagem, então, com o raciocínio
lógico comprometido, optou por sentar-se na fileira de bancos à sua frente.
O terceiro movimento da sonata de Bethoven tinha acabado de começar, e ele foi pego de sobressalto por seus
enérgicos arpejos. Ele diminui o volume, e trocou de faixa. Não sentia tal
euforia, e optou por Sonho de Amor, do Liszt. Com todas suas forças, tentou se
focar na melodia e nos passantes da calçada. Não pôde. A imagem da garota de
óculos permeava seus acordes, desafinando seus violinos e desencontrando seus percursionistas.
Ele precisava agir. Teve sucesso
em lançar alguns olhares periféricos desenxabidos, e pôde admirar parcialmente
sua beleza. Acabou cometendo o erro de observá-la pro tempo demasiado, e seus
olhos terminaram por encontrarem-se. Ele corou profundamente, e não mais
arriscou olhares tão diretos; limitou-se ao reflexo do visor do seu velho
celular. Então lhe veio a hipótese de lhe falar. Como não pensara nisso antes?!
Poderia quebrar o gelo com qualquer bobagem minimalista do dia a dia, bastava a
coragem para que suas cordas vocais vibrassem e criassem ondas sonoras de
comprimento suficientemente largas para que se tornassem audíveis. É tudo uma
questão de física ondulatória, onde a altura da sua voz seria proporcional à
intensidade da vibração de suas cordas vocais.
Nunca fora tão difícil fazê-lo.
Seguiu num silêncio contemplador, deixando que sua sina fosse carregada pelas
correntes oceânicas.
A linha do ônibus terminava em
uma grande estação, que servia como
referência para diversas outras linhas.
Desceram quase que simultaneamente, e seguiram juntos até certa parte da
estação, onde se separaram, pois ele tinha um destino; e ela, outro. Ele havia
passado por Mozart, Schumann e até Chopin; mas as feições da moça insistiam em se
materializarem no seu subconsciente, lhe pegando de surpresa.
E assim se seguiram as próximas horas.
Teria sido aquilo amor à primeira vista? Ele não sabia. Sabia que ela era linda, que devia ser inteligente e que usava óculos. Sabia que as probabilidades que
havia os posto no mesmo ônibus – a centímetros de distância um do outro – eram ínfimas;
e que, embora tentasse negligenciar esta verdade, dificilmente voltariam a se
ver. Dificilmente voltaria a corar quando seus olhos se encontrassem, e sentia
que ela continuaria a desafinar suas sinfonias por dias.
Culpou
a si mesmo por não ter iniciado a conversa, assim como culpou as probabilidades
matemáticas que regem nosso universo por ter-lhe posto de fronte a alguém tão
marcante, ao mesmo tempo tão inacessível.
Voltaria
a vê-la? Era incerto. Ele não possuia palavras para descrever o que sentia. É justamente quando falham as palavras que a música entra em cena. Enquanto ouvia Villa-lobos chorar, rezou às
probabilidades.
13 de jun. de 2013
Hopes and fears
"She told him to wait, to keep himself patient. Will it be worth it? He don't know, but he hopes to discover."
Now he sings to the emptyness
Plays with his past mistakes...
Blames no one for his lonelyness
Only his unfortunate stakes.
Trying to be patient as a bear...
Trying to be cold as white snow...
He slowly exposes his fear
Of loosing things he don't know.
He just stares from the fence
Jumps, trying to see.
Lonely, from far observes.
Only awaiting for the chance
To proof that he can be
The guy that she deserves.
Now he sings to the emptyness
Plays with his past mistakes...
Blames no one for his lonelyness
Only his unfortunate stakes.
Trying to be patient as a bear...
Trying to be cold as white snow...
He slowly exposes his fear
Of loosing things he don't know.
He just stares from the fence
Jumps, trying to see.
Lonely, from far observes.
Only awaiting for the chance
To proof that he can be
The guy that she deserves.
9 de jun. de 2013
The guy running in the park
He was running the whole morning. Thats what he likes to do when his problems go above his capacities. He's not that strong, and even if everyone likes to tell him otherwise, he knows his limitations. He knows when to stop, breath and think clearly.
He was very, very tired. He had no breath to give just one more step. Then he sat down on the grass, thinking of his experiences. He had never been lucky, and, once again, was in the same dead end. He could not stop blaming himself, because there was no better comfort at a time like this. "I'm late." She could be a perfect girl, but she wouldn't be the perfect one for him. He would have to live with this pain: It would have to live with the fact that now she is perfect to another one. He arrived late. A year late. Enough to lose her, without even imagine before that she has existed.
So he stood up, heating his body, shaking his muscles slightly, and returned to his exercise to finish up his daily running schedule. He's not unhappy, he's just tired and disappointed. He never thought that the posibility of going through all this maelstrom again could be so eminent. He never thought that, for some reason, destiny would came with a stranger to match his routine, and, besides this, choose the most perfect stranger that he would never expect to one day meet.
He kept his life. Slashing shadows with swords of shadows and painting his life with shades of black and white. Maybe he's tired. Maybe he's just disappointed. Maybe he's dead, since his life walks to this constant dead end. And the poor guy struggles on.
He was very, very tired. He had no breath to give just one more step. Then he sat down on the grass, thinking of his experiences. He had never been lucky, and, once again, was in the same dead end. He could not stop blaming himself, because there was no better comfort at a time like this. "I'm late." She could be a perfect girl, but she wouldn't be the perfect one for him. He would have to live with this pain: It would have to live with the fact that now she is perfect to another one. He arrived late. A year late. Enough to lose her, without even imagine before that she has existed.
So he stood up, heating his body, shaking his muscles slightly, and returned to his exercise to finish up his daily running schedule. He's not unhappy, he's just tired and disappointed. He never thought that the posibility of going through all this maelstrom again could be so eminent. He never thought that, for some reason, destiny would came with a stranger to match his routine, and, besides this, choose the most perfect stranger that he would never expect to one day meet.
He kept his life. Slashing shadows with swords of shadows and painting his life with shades of black and white. Maybe he's tired. Maybe he's just disappointed. Maybe he's dead, since his life walks to this constant dead end. And the poor guy struggles on.
Grandezas
Há tempos deixei de viver como um vetor. Quem sabe se houvesse um sinal que me desse direção e sentido... Porquanto, divago como uma grandeza escalar.
6 de jun. de 2013
Um absurdo descabido
Venho apercebendo, através de diversos meios, que as pessoas em geral valorizam
muito mais os textos – crônicas, artigos, “essays”, entre outros, diga-se de
passagem – em detrimento da poesia. Isso é um absurdo, uma tolice, uma
blasfêmia inconcebível a qualquer amante das letras. As palavras de um texto são simplórias, desprovidas de qualquer subjetividade que as torne
interessantes ou instigantes.
Nos versos, isso muda. Simples palavras adquirem um número infinito de
significados e propósitos, que são determinados pelo contexto em que se insere
cada leitor.
Essa é a grande sacada da palavra versada; isso que a difere do simples
ser, e dá-lhe nova tipagem, causando enleio aos bons leitores que divagam
boquiabertos após uma boa rima.
A poesia é a vida do nosso planeta, o sangue do nosso corpo, os felizes
desencontros do nosso dia a dia. É como a música clássica, que, como arte magna
em seu meio, figura no topo da cadeia alimentar em termos de complexidade e capacidade
de emocionar. Tristemente, sua beleza é vista por poucos. Felizes poucos.
I could
I could write you a poem, if you wanted to.
I could compose you a song, if you wanted to.
I could make a drawing for you, if you wanted to.
But you don't want. Left my poems, harmony notes,
beautiful songs, cutest drawings and others, to the wind.
I could compose you a song, if you wanted to.
I could make a drawing for you, if you wanted to.
But you don't want. Left my poems, harmony notes,
beautiful songs, cutest drawings and others, to the wind.
2 de jun. de 2013
Autopsicografia
Nunca antes postei aqui poesias que não fossem de minha autoria. Mas
faz-se exceção à melhor descrição já feita acerca dos viveres de um poeta. Talvez
uma das poesias mais geniais de F. Pessoa. Há quem discorde, mas acredito que
nunca antes, tanto quanto nunca mais, um poeta há de sentir-se tão bem
retratado.
O poeta é um fingidor.
E finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Nãos as duas que ele teve
Mas só a que eles não tem.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa, Lisboa, 1915.
Probabilidades
-Sete bilhões de indivíduos andantes acerca do globo... Há
quase um pra cada quilômetro quadrado. – Dizia o garoto, com o rosto contra a
mesa de mogno. – E me vejo pleiteando o inacessível.
O Pai lhe conferia afagos periódicos, e, entre múrmuros e sussurros
inaudíveis, disse:
-Essas coisas a gente não escolhe, menino. São como
fatalidades. Sâo tão imprevisíveis quanto a morte. Você pode morrer ao sair pra
ir pra aula, assim como se apaixonar no caminho de volta.
-Já estou apaixonado, pai. Isso é certeza; enquanto a morte,
possiblidade remota.
Ouvindo tais palavras, o Pai suspirou. Não devia tê-lo deixado ler tantos livros.
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