9 de jun. de 2013
Grandezas
Há tempos deixei de viver como um vetor. Quem sabe se houvesse um sinal que me desse direção e sentido... Porquanto, divago como uma grandeza escalar.
6 de jun. de 2013
Um absurdo descabido
Venho apercebendo, através de diversos meios, que as pessoas em geral valorizam
muito mais os textos – crônicas, artigos, “essays”, entre outros, diga-se de
passagem – em detrimento da poesia. Isso é um absurdo, uma tolice, uma
blasfêmia inconcebível a qualquer amante das letras. As palavras de um texto são simplórias, desprovidas de qualquer subjetividade que as torne
interessantes ou instigantes.
Nos versos, isso muda. Simples palavras adquirem um número infinito de
significados e propósitos, que são determinados pelo contexto em que se insere
cada leitor.
Essa é a grande sacada da palavra versada; isso que a difere do simples
ser, e dá-lhe nova tipagem, causando enleio aos bons leitores que divagam
boquiabertos após uma boa rima.
A poesia é a vida do nosso planeta, o sangue do nosso corpo, os felizes
desencontros do nosso dia a dia. É como a música clássica, que, como arte magna
em seu meio, figura no topo da cadeia alimentar em termos de complexidade e capacidade
de emocionar. Tristemente, sua beleza é vista por poucos. Felizes poucos.
I could
I could write you a poem, if you wanted to.
I could compose you a song, if you wanted to.
I could make a drawing for you, if you wanted to.
But you don't want. Left my poems, harmony notes,
beautiful songs, cutest drawings and others, to the wind.
I could compose you a song, if you wanted to.
I could make a drawing for you, if you wanted to.
But you don't want. Left my poems, harmony notes,
beautiful songs, cutest drawings and others, to the wind.
2 de jun. de 2013
Autopsicografia
Nunca antes postei aqui poesias que não fossem de minha autoria. Mas
faz-se exceção à melhor descrição já feita acerca dos viveres de um poeta. Talvez
uma das poesias mais geniais de F. Pessoa. Há quem discorde, mas acredito que
nunca antes, tanto quanto nunca mais, um poeta há de sentir-se tão bem
retratado.
O poeta é um fingidor.
E finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Nãos as duas que ele teve
Mas só a que eles não tem.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa, Lisboa, 1915.
Probabilidades
-Sete bilhões de indivíduos andantes acerca do globo... Há
quase um pra cada quilômetro quadrado. – Dizia o garoto, com o rosto contra a
mesa de mogno. – E me vejo pleiteando o inacessível.
O Pai lhe conferia afagos periódicos, e, entre múrmuros e sussurros
inaudíveis, disse:
-Essas coisas a gente não escolhe, menino. São como
fatalidades. Sâo tão imprevisíveis quanto a morte. Você pode morrer ao sair pra
ir pra aula, assim como se apaixonar no caminho de volta.
-Já estou apaixonado, pai. Isso é certeza; enquanto a morte,
possiblidade remota.
Ouvindo tais palavras, o Pai suspirou. Não devia tê-lo deixado ler tantos livros.27 de mai. de 2013
A poesia do poeta morto
Sem nada a fazer,
Sem nada a decidir,
Não pude descrever
O mais puro sentir.
Pois nada senti
Afora o desprazer
De nada decidir
E, assim, sofrer!
Confortando-me, morri;
Pois não pude lhe falar
Que nunca antes aprendi
As nuances do amar.
Continua-se, então,
Este eterno vestibular.
Questão por questão
Só me resta estudar.
Estudando como um zumbi,
Um dia hei de encontrar:
A definição do que senti -
E o significado desse tal “amar”.26 de mai. de 2013
Novos ares
No ônibus, os mesmos rostos.
Por todo o lado, a triste burguesia.
Até o advento de novos ventos:
Fizeram brotar novamente a poesia.
Às tardes, um novo gosto.
Ao viver, nem imaginas:
Vento no rosto, vento disposto
Novos ares a novas rimas.
23 de mai. de 2013
I'd marry you
"I'd marry you, since the first time we talked
Since the first time i've seen you walkin' in your blue Low Sneakers
I'd marry you, I've said
Maybe not today,
Maybe any other day..."
Since the first time i've seen you walkin' in your blue Low Sneakers
I'd marry you, I've said
Maybe not today,
Maybe any other day..."
22 de mai. de 2013
A Disco Ball
-“Quantas cores você enxerga no anteparo, aqui, após a
cortina? Garoto.”-Disse a doutora, afastando o paninho que obscurecia a luminescência
reflexiva da disco ball.
-“Preto e branco, doutora.”-Disse o jovem, lacônico e
indiferente.
-“Você tem miopia, garoto.”
-“Mas... Eu costumava ver cores, há anos atrás.”-Replicou o jovem, ainda indiferente. Sua fisionomia era fraca; com olheiras fundas; e a
pele, esbranquiçada, como se todo seu conjunto fosse resultado de uma maçante jornada
intelectual forçada.
-“Eu também, garoto. Nossa doença? Somos suicidas. Todos nós, exceto alguns poucos reacionários que, conscientes desta degradação social irreversível, escapam das garras da frígida realidade a que somos dispostos."
A doutora sentou-se na mesinha ridiculamente pequena,
passando a rabiscar a ficha do paciente atual, movimentando a caneta em gestos maquinários.
O garoto já tinha saído da sala. Na verdade, já saia do
hospital. Já tinha ouvido o bastante. Estava morto, pois não podia ver cores.
4 de mai. de 2013
Amor de Engenheiro...
Ela é tão humana, eu, tão exato..
ela faz jornalismo, eu, engenharia;
ao vê-la, esqueço qualquer cálculo...
Me sinto Quintana, ao ver sua Cecília.
ela faz jornalismo, eu, engenharia;
ao vê-la, esqueço qualquer cálculo...
Me sinto Quintana, ao ver sua Cecília.
"Impossivel", dizem os errantes...
improvável, o maior dos absurdos
Que dois mundos tão distantes
possam, um dia, terminar juntos.
improvável, o maior dos absurdos
Que dois mundos tão distantes
possam, um dia, terminar juntos.
Terminam-se, então, as rimas...
isto é além da minha capacidade.
Restam-me equaçoes indecisas,
amor em cálculos de probabilidade.
isto é além da minha capacidade.
Restam-me equaçoes indecisas,
amor em cálculos de probabilidade.
Neste silêncio desconfortável
enuncio, então, a questão:
Você quer ser a variável
que falta na minha equação?
enuncio, então, a questão:
Você quer ser a variável
que falta na minha equação?
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